terça-feira, 26 de junho de 2012

Viver num país muçulmano…

A imagem que temos dos árabes é, ou com bombas à volta da cintura, ou com burkas a tapar as mulheres dos pés à cabeça.
Pronto, e é isso.
Ahahah brincadeirinha a parte das bombas  :P
Mas vemo-los como castradores das mulheres, como feios e maus, sujos, assustadores… Hmm… pois, não sei se consigo refutar esses pré-conceitos…!
Há, claro, alguns homens muito simpáticos, sorridentes, educados… Mas realmente são quase todos feios, muitos com ar assustador, alguns sujitos, e as mulheres tapam-se todas, sim.

De qualquer forma, existem os árabes propriamente ditos, mas existem muitas outras nacionalidades, que partilham a religião muçulmana (paquistaneses, indianos, egípcios e sei lá mais o quê…!). Portanto, também vai haver muitos tipos diferentes de pessoas. Como em tudo, é perigoso generalizar.
Muitos deles vestem-se com umas vestes brancas e uns lenços na cabeça. Normalmente esses já dá para saber que são emiratis (*). Não gosto disso, confesso. Oh pá, dá-me a sensação que só vestem aquela treta para se sentirem superiores a nós. E sentem mesmo… bah.

* (Nós, os “expats”, ou expatriados - lindo nome… - chamamos aos árabes “locals” ou “emiratis”)

As mulheres.
Supostamente, a questão de usar véu ou não, é uma escolha pessoal e não uma imposição. Segundo a religião, a mulher deve cobrir-se, abster-se de mostrar o corpo e provocar os outros homens, que não o marido. Mas que raio de ideia é essa, pensamos nós? A ideia que está por base é até bonita: guardar o que de há de mais bonito e melhor no nosso corpo apenas para aquele com quem partilhamos a nossa vida, intimamente. Verdade seja dita, lá no ocidente, nós, as mulheres, muitas vezes não nos preservamos. Entregamos o corpo e o coração, principalmente, a quem não o merece.
E acho que pode ser até bastante sensual o mistério de tapar o cabelo, o corpo, deixar apenas o rosto a sugerir a beleza que está por baixo disso… mas então, o propósito de não provocar os outros homens ía por água abaixo, não? Lol
Ok, apesar da ideia de base me parecer até bonita, a mim não me apanham nisso!lolol
Ainda se fosse uma questão puramente de escolha da mulher… mas como poderia ser? Se toda a sociedade espera isso, se uma mulher se vestir normalmente não será olhada como uma libertina? E é claro que deve haver muitos homens que obrigam as mulheres a isso. Isso é uma forma de violência, certo? Mas, em boa verdade, quanta violência não existe entre marido e mulher no ocidente?
Supostamente, aqui isso da violência doméstica não é coisa que aconteça aqui. Os valores da família são sagrados. Hmmm pois, pois…!

De qualquer forma, é importante dizer quem nem todas as mulheres se tapam todas. Existe uma grande variedade de formas diferentes de tapar o corpo, a cabeça… Acho que as diferentes opções têm a ver com a tal da liberdade de escolha, mas sem dúvida que algumas coisas distinguem, por exemplo, as solteiras das casadas.
Há algumas mulheres que se vestem perfeitamente normal (quando digo normal, não digo com os nossos decotes ou mini saias. Digo, normais, com calças de ganga, camisolas - mas sempre a tapar as pernas todas e os braços e o peito), e usam apenas um veu enrolado na cabeça a tapar o cabelo. Normalmente são véus de cores diferentes, até com padrões. Assim uma coisa tipo moderna. Essas, ao que parece, são solteiras.
Depois há as Abayas - são as vestes pretas que usam e que cobrem desde o queixo até aos pés. São de um tecido leve e esvoaçante. Parece que se torna bastante fresco, mas quando olho para elas debaixo de um sol do meio dia só penso “como é que não morrem , de preto?”. Depois cobrem as cabeças com véus pretos.
Até aí, ok, vá que não vá… Mas… depois começa a ficar mais esquesito: Há algumas que tapam a cara também com mais um véu, e só ficam os olhinhos de fora. Depois ainda há umas grandes malucas que enfiam um véu por cima da cara toda. Arre, nem olhinhos, nem nada! Ahh santa paciência…!
Eu gosto de véus, de lenços, de coisas esvoaçantes… sempre gostei. Às vezes, quando elas estão andar e está vento, até fica uma visão bonita, quase romântica.
Mas… não consigo deixar que me faça confusão.
Sei que muitas delas vão para a faculdade, têm cargos de poder nas empresas, estão a modernizar… mas ainda assim me dá um bocadinho a sensação que lhes estão a tirar a voz, a castrá-las…
Por outro lado, também me dá às vezes a sensação que são umas nariz empinado, que olham para nós com desdém e que vivem à grande e à árabe lol
Dizem as más linguas que algumas delas se vêm à rasca para arranjar maridos, porque querem montes de dinheiro, casamentos fantabulásticos…! E os homens já não têm muita paciencia para isso. Então, vão à procura de mulheres não locais.
Não, no worries, não deixo que me apanhem nisso! Lol :P

É assim, estou aqui há dois meses. É cedo para ter opiniões muito formadas sobre estas pessoas. Mas, também não estou só há dois dias, por isso já me sinto à vontade para ter alguma opinião. E… não é muito positiva, confesso.
Este é um país muito castrador. Ponto.  Eu até sou pessoa de me adaptar com alguma facilidade aos diferentes contextos e regras. Mas aqui irrita. Pronto, irrita. Irrita-me não poder usar a roupa que quero à vontade. Não sou propriamente de usar roupas escandalosas ou ter comportamentos socialmente pouco aceites, mas de vez em quando gostava de poder usar uma blusa de alcinhas e com um decotezito, ou usar uns calções acima do joelho à vontade. Não é que não possa usar, mas há quem olhe de lado. Há sítios onde não fica assim muito mal, como na zona da praia por exemplo, ou numa saída à noite. Mas se se vai ao shopping, ou claro a um local governamental (ao banco, aos correios…), é-se mesmo olhado de lado.
Mas o que me irrita bem mais é não podermos, por exemplo, beijar um namorado à vontade em publico! Ai que sítio triste para nos apaixonarmos! Deve ser horrível um casalinho in love andar a passear e não se poder sentar num banco de jardim a namorar um bocadinho. Ok, é certo que às vezes se vê por aí casais a quem apetece dizer arranjem um quarto pá, não se engulam um ao outro! Lol Mas aqui não é preciso cair nesse exagero. Simplesmente, na lei - sim, porque estas coisas não são só ai e tal não fica bem. Está na lei! - é proibido o sexo antes do casamento. Da mesma forma, é proibido a troca afectuosa de beijos e carícias. Pode-se andar de mão dada, dar um beijinho na testa, na bochecha… um beijinho na boca assim muito ao foge que te agarre. Mas that’s it. E mesmo assim, olha lá, depende de quem está à tua volta!
Qualquer coisa para além disso, basta termos o azar de ter algum emirati frustrado à nossa beira, que ele pode até chamar a polícia e ficamos feitos ao bife.
Não quer dizer que as pessoas sejam presas todos os dias por se beijarem na rua, atenção!lol Mas…
Por exemplo, também não é permitido um casal de namorados viver junto, se não estiverem casados. É claro que montes de gente vive junto! Mas, todos sabem que têm de manter a coisa subtilmente. É claro que, passado algum tempo, os vizinhos árabes vão perceber que vivem juntos e imaginam que não durmam propriamente em quartos separados, mas não convém levantar muitas ondas. Sexo muito barulhento é altamente desaconselhado lol E, por exemplo, ajuda se a moça não entrar e sair do prédio com roupas muito provocantes. Se perguntarem, podem sempre dizer que são casados. À partida, ninguém lhes vai pedir a certidão de casamento. mas, se tiverem o azar de algum ressabiado fizer queixa deles, é muito complicado mesmo! Mais uma vez, não é uma questão de ah e tal não fica bem. É a lei.
Oh god! Basta isso - e não é pouco - para eu saber que não vivo aqui, nem em qualquer outro país muçulmano por muito tempo. Castrar o amor? Na, comigo não dá! :P

É claro que, quando se é turista, estas coisas da “etiqueta” não importam assim tanto. Ninguém nos conhece, estamos no sítio por pouco tempo, que se lixe o que pensam. No entanto, não se iludam, os turistas pagam multas e são presos na mesma! Mas claro, quando se vive e trabalha no sítio é bem diferente. Implica perder o emprego, ser deportado e nunca mais cá poder entrar.

A única coisa boa deste tipo de severidade no cumprimento da lei, é que é um país com uma taxa de criminalidade extremamente baixa. Porque se sabe que o não cumprimento das leis acarreta consequencias graves. Nem se fala em drogas, claro. Vir fumar um charrozinho por estes lados? Bad idea…! Beber alcool na rua? Nop! Roubar alguma coisa? Quase que cortam a mão! Lol
O álcool é outra daquelas coisas. A mim, quem me conhece sabe que não faz grande diferença, porque não bebo. Mas só se consegue beber álcool num bar de um hotel. Cervejinha com tremoços na esplanada ao fim de tarde, depois de um dia de praia com o pessoal? Esqueçam. Só se for no bar da praia do hotel. Comprar garrafas de vodka no supermercado para ir fazer um aquecimento para casa daquele amigalhaço? É preciso ter uma licença para comprar álcool e não se encontra garrafas à venda em qualquer esquina.
Atravessar fora da passadeira? Se a polícia apanha, tás feito.
Não me estou a lembrar de mais restrições, mas de certeza que há.
Claro que, por exemplo, saindo à noite, vê-se todas estas limitações totalmente passadas por cima! O pessoal engole-se nas discotecas, as inglesas usam cintos em vez de saias… coisas que até na europa são escandalosas! E também lá estão as pudicas das árabes, só que desta vez, sem abayas ou véus, mas com uns belos de uns decotes e uns vestidinhos quase a roubar o protagonismo às inglesas!

Dito isto, com tantas regras, com tanto respeito, pudor e coisas que tais… a minha opinião é que…são todos uns hipócritas!
A maior parte tem o raio da mania que estão a nadar em petróleo e são mais do que os outros, olham-nos de cima com desdém e esquecem-se que os expats é que fazem esta treta andar, porque fazem os trabalhos que eles não querem fazer. Trolhas, empregados de lojas, empregados de hoteis… mas algum dia um emirati quer trabalhar a servir os outros? Eles gostam é de trabalhar em escritórios, ser donos de empresas, conduzir altas bombas, passear as vestes brancas deles e pensarem que são os donos do mundo. E pensam, que, com dinheiro, tudo se compra.
Toda a gente sabe que têm montes de namoradas, que desaparecem por temporadas para ir sabe-se lá onde ser tudo menos respeitosos dos bons costumes. Tanta treta ah e tal a família é que é importante lá lá lá… as crianças dos ricos são educadas pelas amas, enquanto as mães andam nas compras e os pais… enfim.
E, assim sem entrar em pormenores, digamos que não são propriamente muito pudicos ou respeitosos no que toca a tratamentos de massagens. Tenho de usar algumas vezes o meu ar de “não te metas comigo, que eu sou do Porto e não papo grupes!” Pronto, e mais não digo. 

Claro, claro que existe muito boa gente no meio deles, mas…

Pronto, um dia destes passo a critica para as outras nacionalidades esquisitas que por aqui andam. E vocês começam a perceber a falta que me estão a fazer as pessoas ocidentais e normais. :P

quarta-feira, 30 de maio de 2012

as salam alaykum!!

ora entao vamos la... este blog ja era para ter sido criado ha um tempinho, mas andou-me a faltar inspiraçao ou paciencia...
Quem conhece o liatthesea.blogspot, percebe o porquê do liatabudhabi lolol ok, é uma tentativa falhada de fazer um trocadilho criativo :P

Pronto, mas então, depois de ter trabalhado num navio de cruzeiro, passei um pouco mais de um ano e meio em casa e voltei a mandar-me à aventura.
Porquê voltar a sair do pais? ah fugir a crise e tal... não, nem por isso. adoro o meu pais, não acho que sejamos uns falhados, não acho que estejamos desgraçados... para alem de que eu tinha um emprego que nem era nada de deitar fora. Acho que foi porque sentia que, após um tempo de alguns desafios pessoais, era altura de voltar a pôr-me a prova, desafiar-me de novo, sair da minha zona de conforto... ou então estava simplesmente aborrecida, não sei!
E porquê vir para Abu Dhabi, para os Emirados Árabes? Sei lá! Foi, muito honestamente, o que calhou! Não vim à procura da riqueza do petróleo, de arranjar um sheik cheio de dinheiro (mas quem sabe… eheh), não vim iludida com a recompensa económica, nem deslumbrada com os prédios megalómanos.
Aliás, antes de vir, estive mesmo quase quase para ir para o Egipto. Só que as papeladas não correram muito bem e fiquei, assim de repente, sem ter para onde me virar. Surgiu isto e cá vim.
O Egipto também não tinha nenhuma razão especial de ser. Simplesmente queria ir para algum lado diferente. Não me apetecia muito cidades europeias, confesso. Sentia-me mais puxada por coisas mais esquesitas! Lol Acho que, uma vez vivendo fora, fica o bichinho. Pelo menos a mim ficou.
Hmm mas mais reflexão acerca disso fica para uma outra altura, senão nunca mais daqui saímos!

 Ora então estou em Abu Dhabi, um dos Emirados Árabes Unidos. É no Golfo e faz fronteira, por exemplo, com a Arábia Saudita. Se alguma vez me dissessem que vinha para um país ao lado da Arábia Saudita a minha reacção seria credo, que coisa feia e perigosa! Lol
Mas os Emirados são bastante modernos, especialmente Dubai e Abu Dhabi. Um dia destes faço copy paste do Wikipédia, com uma descrição históricó-geográfica aqui do sitio! E com certeza que virei aqui várias vezes contar pormenores sobre a vida neste emirado.

Para efeitos de contexto, importa também dizer afinal o que é que estou aqui a fazer! Trabalho como massagista, no spa de um hotel 5 estrelas, parte de um grupo internacional.
Toda a gente me pergunta como é que arranjei este emprego - simples. Estava inscrita no site do grupo de hoteis, recebo as ofertas de emprego, candidatei-me e fiquei. Assim como me candidatei a outras coisas e nunca me ligaram nenhuma.
O processo foi bastante simples. Ou melhor, foi claro. Traduzir certificado de formação para árabe, validar na embaixada, fazer uns exames médicos, carta de recomendação, cópias de passaporte, por aí… Pouco tempo depois tinha voo marcado.
Os últimos dias em casa foram uma azáfama. Estava a viver sozinha numa casa alugada, por isso, para além de ter de fazer as malas para vir, tratar de todas as coisinhas que surgem para fazer, deixar organizadas, passar tempo com os amigos, familia… ainda tive de mudar as minhas coisas todas para casa do meu pai. Quem conhecia a minha casa sabe que não havia assim muito, afinal, eram só 24 metros quadrados! Lol
As despedidas… uma piiiiiiiii! Odeio despedidas. Que raios que esta vida tem a mania de nos ligar tão fortemente às pessoas, para depois nos fazer separar delas.
Já sei que a opção foi inteiramente minha, mas não é por isso que se torna fácil…
Num dia que esteja muito saudosa de casa, venho aqui descrever todas as pequenas e grandes coisas que me fazem falta :)

Bem, com um mix de sentimentos, lá acabei por vir.
Foram-me buscar ao aeroporto e viemos num carro todo xpto. Não entendi metade do que o meu manager me dizia pelo caminho (que raio de sotaque é aquele?), mas percebi bem quando me disse que só tinha de ir ao hotel 2 dias depois! Fixe, começar já com duas folgas, parece-me bem!lol
Quando cheguei à minha acomodação é que já não achei assim tão fixe… Um prédio velho, gasto… esquisito! Mas pronto, não entrei em pânico. Arrumei mais ou menos as minhas coisas, liguei à minha mãe, derramei duas lagrimitas (what the f**** é que fui fazer??) e caí a dormir.
Depois a querida da minha companheira de quarto levou-me a almoçar ao hotel e mandei-me à aventura sozinha!
Memorizar (escrever num papel, melhor dizendo!) como é que se chama o sitio onde vivo; perceber como é que vou para o hotel; saber onde fica pelo menos um shopping (ir lá e respirar de alívio por ver lojas de todas as marcas que conhecemos e um carrefur com produtos que usamos; respirar também de alivio por ver algumas pessoas “normais” e não só árabes ou filipinos; comprar um mapa e olhar para ele sem perceber nada…coisas assim, que fazemos num dia normal! lol
No segundo dia: bolhas nos pés e quase colapso de tanto andar! Coitadinha da tuguinha, ainda não sabia que aqui o sol mata! E claro, descobrir onde é a praia e ir lá molhar os pézinhos!
Pronto, shopping e praia - já estou safa! Eheheh
Depois, foi começar a trabalhar e num instante já passou mais de um mês!

Por hoje ficamos por aqui... :P mais desenvolvimentos para breve!